Psicologia, Reflexões de Mãe, Saúde e bem estar

Síndrome de bornout na maternidade



Atualmente muito tem se falado na síndrome de bornout, sempre aplicada quando se trata no âmbito de trabalho, mas eu hoje venho aqui discordar, porque depois de precisar me tratar, posso dar o testemunho de que essa doença também pode atacar as mães, que ficam em casa cuidando dos filhos, assim como quem trabalha fora.

Não sei se vocês perceberam que a frequência de textos aqui no Baby Dicas diminui drasticamente, quase a zero, na verdade, e o motivo não foi outro, se não, a depressão que eu tive, aliás, deixa eu logo me corrigir, eu também tive a síndrome de bornout.

Já acordava cansada, sem estímulo para nada. A vontade era apenas de chorar e ficar embaixo das cobertas. Não sentia vontade, sequer, de beijar os meus filhos. Aliás, quando eu escutava a voz deles, a vontade era de me tacar embaixo da cama para que eles nem me achassem.

Além do esgotamento físico, também não conseguia me concentrar em nada. Nenhuma ideia fluía, nenhuma vontade de sentar e escrever eu tinha – e olha que uma das minhas maiores paixões é escrever! Estava realmente apática para a vida. E como isso me doía, como isso estava acabando com o restinho de vontade de viver que eu tinha.

O sintoma típico da síndrome de burnout é a sensação de esgotamento físico e emocional que se reflete em atitudes negativas, como ausências no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo, baixa autoestima.

Dor de cabeça, enxaqueca, cansaço, sudorese, palpitação, pressão alta, dores musculares, insônia, crises de asma, distúrbios gastrintestinais são manifestações físicas que podem estar associadas à síndrome.

Até que num dia, eu acordei e passei o dia todo chorando. Uma vontade de realmente desaparecer. Algo que era tão forte, mas ao mesmo tempo eu conseguia enxergar que aquilo ali não estava normal. A melhor decisão que tomei foi a de buscar ajuda profissional. Só não sei explicar como tive forças para isso, aliás, sem dúvida, a fé que me move sempre.

Mas nesses dias de muita dor e desespero, a minha fé falhou; já não era mais capaz de me sustentar; e foi justamente aí que eu resolvi buscar ajuda profissional. Mas, sem dúvida, ter a prática espiritual me ajudou demais. Isso é fato!

Ainda estou em tratamento. Tenho dias melhores, outros nem tanto, mas o mais importante é que eu fui diagnosticada, que mesmo sendo mãe em tempo integral, eu também (infelizmente) tive bornout.

Se você está se identificando com este texto, a minha sugestão é que você busque ajuda profissional o mais rápido possível. Pode acreditar que vai ser a melhor coisa para você, para os seus filhos, para a sua família. Eu não acreditava muito, até que precisei vivenciar isso na pele, para poder compartilhar com você.

Para fugir da síndrome de burnout

  • Abandone o lema “Meu nome é trabalho”. Não coloque todos os ovos numa cesta só. Diversifique as fontes de gratificação e descubra seus hábitos de prazer. Leia mais, vá ao cinema, curta os amigos e os pets.
  • Faça uma avaliação sobre custo e benefício: o que a atraiu nesse emprego e a mantém aí? A possibilidade de ajudar as pessoas?
  • O salário? Seja qual for a motivação, focalize no que é positivo em vez de olhar os aspectos negativos que, em geral, são muitos.
  • Restabeleça contatos profissionais. Faça networking, procure novas chances no mercado ou em outro setor da empresa se o que você faz, no momento, significa exaustão.
  • Atenção aos sinais emitidos por seu corpo. A exaustão pode ser sintoma de várias doenças, de anemia a distúrbios da tireoide. Na dúvida, consulte um médico. Se for stress, procure desacelerar o ritmo e faça uma coisa de cada vez.
  • Cuide de seu estilo de vida. Alimente- -se bem, em horários regulares, sem exagerar no álcool e na cafeína. Durma o necessário para acordar reanimada.
  • Inclua exercícios físicos na rotina. Eles ativam a circulação, estimulam o metabolismo, energizam e ajudam a administrar o stress.
  • Conte com o apoio da família, dos amigos ou de uma prática espiritual.

Não vou me cobrar muito de escrever todos os dias, mas é claro que se estiver me sentindo bem, eu corro para cá, tá?

Se você conhece alguém que pode estar passando por isso, se você gostou do texto, te peço que curta e compartilhe, porque, às vezes, um texto assim pode encher de esperança a vida de alguém.