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Quando a criança precisa de psicoterapia?



Quando a criança precisa de psicoterapia é o tema do post da psicóloga Mariana Silva Pinto de hoje aqui no Baby Dicas. Um post super esclarecedor! Tenho certeza de que vai ajudar muitos pais a refletirem sobre a necessidade (ou não) de uma terapia para a criança.

Beijos,

Bárbara

É um fato que cada vez mais os pais procuram por acompanhamento psicoterápico para seus filhos, inclusive para os muito pequenos (entre 2–3 anos de idade).

A busca pela psicoterapia infantil quase sempre é pedindo ajuda, seja pelos pais, pelas próprias crianças ou por pessoas próximas que fazem parte do desenvolvimento dessa criança. Busca de orientação para pais são raras, já que prevalece a ideia de que quando a criança apresenta uma dificuldade é ela quem deve ser tratada. Nem sempre, porque algumas manifestações apresentadas pelas crianças podem apenas estar encobrindo outras que precisam ser reveladas.

Muitos sintomas apresentados pela criança estão relacionados a questões de ordem social e/ou familiar. Situações de desavenças, segredos, atritos, discussões, competições, rejeições, entre outras, vividas direta ou indiretamente em seu ambiente, acarretam na criança sentimentos e comportamentos julgados como inadequados. Nestes casos, a criança  está como porta-voz de um sintoma mais amplo, e não como aquela que origina a situação. Somente uma avaliação minuciosa da história individual e familiar da criança permite avaliar a origem do sintoma e, assim, saber a quem deve recair o olhar terapêutico.

Em várias ocasiões, a orientação e o suporte oferecido aos pais (ou escola ou adultos responsáveis pela criança) já proporcionam uma melhora na queixa apresentada. A criança passa a receber apoio suficiente para que entenda, elabore e supere suas dificuldades. Então fica a pergunta: quando a psicoterapia infantil é necessária?

Toda criança tem preocupações e desconfortos que se mostram através de irritabilidade, tristeza, choro, brigas, birras, agressão, isolamento, dentre outros. Um tanto disso faz parte da natureza humana e se resolve com a intervenção de uma pessoa próxima capaz de nomear e ajudar a criança a entender e a lidar com o que ela vivencia. Quando é difícil para o adulto fazer esta ponte, a orientação de pais pode ser uma alternativa. No entanto, quando o sofrimento da criança é demasiadamente grande, apenas a intervenção com seus cuidadores pode não ser suficiente para ela compreender o que está vivenciando.

Isso é bastante comum nos casos em que as crianças estão fortemente impactadas por fatores diretamente ligados a ela, como separações, perdas, mudanças, doenças, etc. Nessas situações, a psicoterapia infantil é recomendada para que o terapeuta, junto com a criança, possa ir construindo o sentido de tal sofrimento. Além disso, crianças vão à terapia quando apresentam dificuldades recorrentes relacionadas a seu desenvolvimento global (principalmente afetivo-cognitivo) que podem interferir na formação de sua personalidade e em sua dinâmica intra e interpessoal. Por exemplo, crianças muito introspectivas e inseguras, que têm dificuldade em sair do lado dos pais, ou crianças que apresentam medos difusos e intensos, que atrapalham seu crescimento,  a formação da autoestima e prejudicam seus relacionamentos sociais – ficam distantes, não brincam e não exploram os ambientes e pessoas.

Se olharmos a criança como um ser único, com necessidades próprias e em constante transformação, ficará mais fácil promover seu desenvolvimento. Use o diálogo para criar, conjuntamente, formas de lidar com cada situação. O comportamento da criança, e automaticamente dos adultos, sofrerá alterações positivas pelo simples fato de estabelecer com ela uma conexão, com olhar e escuta frente às necessidades dela. Não que todas devam ser acompanhadas, mas o caminho para atender às necessidades é transformá-las em situações positivas. Assim podemos ajudar a criança a construir seus passos para que atinja um bom desenvolvimento.

Psicóloga Mariana Silvia Pinto