Mommies & Goodies, Reflexões de Mãe

O dia que precisei cuidar só de mim

Não sei se você me acompanha no Instagram, mas na semana passada, eu relatei que estava precisando parar e cuidar só de mim. A verdade é que tive uma crise de ansiedade, que tive a certeza de que iria morrer. Foi horrível e precisei cuidar só de mim.

Deixar os filhos com a rede de apoio que temos. Deixar o trabalho de lado. Deixar celular longe. Me permitir ser apenas cuidada e não sempre cuidar!

Vou tentar ser breve e contar o que realmente aconteceu. Eu ando numa fase de muita cobrança interior em absolutamente TODAS as áreas da minha vida, ou seja, como mãe, como esposa, como profissional, como filha, como irmã… e o que aconteceu? Meu corpo pediu que eu parasse ou ele iria parar por mim.

Estava levando os meninos para a escola, quando o Dudu e o Arthur deram um grito. Eu simplesmente não vi um carro que vinha em nossa direção. Foi horrível! Eu comecei a chorar sem parar e os meninos se assustaram demais com a cena.

Não sei quanto tempo tudo aquilo durou. Eu sei que, depois de ver os meus três filhos, tentando me acalmar, eu meio que recobri os sentidos. No dia, tinha deixado o celular em casa carregando, então, não tinha nem como ligar para ninguém ir me ajudar.

Consegui chegar na escola dos meninos e depois que eles desceram do carro, eu simplesmente desabei. Chorei, chorei, chorei. Minhas pernas tremiam tanto, que eu fiquei com medo de ter um ataque no carro.

Como minha casa é muito perto da escola, abri os vidros do carro e tudo o que eu mais queria era chegar o mais rápido possível, porque precisava entregar um trabalho e não poderia atrasar.

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Cheguei em casa, e óbvio, na hora que sentei na frente do computador, eu não consegui fazer nada. Meu coração estava disparado, meu corpo pedia que eu fosse para a cama, que me permitisse ter um tempo de descanso – estava trabalhando 14, 16 horas por dia.

Percebi que não daria conta de trabalhar, e foi aí que meu corpo deu mais um sinal de que eu deveria parar imediatamente. Minha boca ficou seca e meu coração disparou. Uma sensação que, de verdade, não desejo a ninguém.

E o pior, eu não queria que ninguém soubesse que estava daquela forma. Eu deveria dar conta. Eu deveria finalizar o meu trabalho. Eu deveria, em algumas horas, ir buscar os meus filhos na escola. Eu deveria estar feliz com a volta do marido para casa depois de um dia estressante de trabalho dele.

Pois é. Não acabei o trabalho, não busquei os meninos na escola, não estava nada bem, quando meu marido voltou para a casa. Estava jogada na minha cama com um medo inexplicável.

E por que tudo isso? Porque eu mesma estava criando expectativas surreais em todos os campos da minha vida. Queria ser uma mãe ainda melhor para os meus filhos. Queria ser uma profissional de destaque, que não ficasse na mesmice. Queria ser uma esposa pela qual o marido tem admiração total – como mãe, como profissional, como mulher, como amante…

Que carga pesada eu mesma estava me cobrando! Que loucura estava fazendo comigo mesma!

E se posso dizer uma coisa boa disso tudo, é que ficou a lição de que não posso me preocupar de forma tão intensa com tudo, com todos e me esquecer!

Preciso, sim, tentar conseguir tudo de uma forma humana de ser, porque super heroína, que tem poderes especiais, essa eu não sou!