Reflexões de Mãe, Relacionamento a dois

Não vivo para os meus filhos | Baby Dicas



Eu não vivo para os meus filhos. Pode parecer uma grande heresia, mas eu já vivi e percebi que estava fazendo um grande mal para eles, mas sobretudo para mim. Na verdade, eu não vivo para eles, mas faço tudo por eles. São coisas distintas.

Eu não vivo para os meninos, porque sei que isso não é algo interessante para nenhum dos dois lados. Eles precisam ter a vida deles, assim como eu tenho a minha, tenho o meu casamento e tenho a minha profissão, que lá atrás já foi deixada de lado para dedicação exclusiva à maternidade.

Eu costumo dar o meu próprio exemplo para as amigas mais próximas, um fato que incontestável: o filho quando cresce, bate as asas e vai embora. É óbvio que não falo de abandono dos pais, mas sim, de ter sua própria vida, sua própria família.

Meu exemplo, para quem não conhece minha história, eu conheci o meu marido, quando tinha 28 anos, no Rio de Janeiro, e à época eu morava em Brasília (aliás, a vida toda). Em menos de dois meses, juntei tudo o que tinha, vendi e fui embora para o Rio de Janeiro. Em um pouco mais de um ano, estava grávida do Dudu, e hoje moramos em Aracaju.

Meus pais continuam em Brasília, assim como os meus irmãos. Mas eu, assim que tive a certeza de que tinha encontrado a pessoa que eu queria construir uma vida ao lado, não pensei duas vezes no que os meus pais sentiriam, o que eles achariam. Fui lá, tomei minha decisão, e apenas comuniquei que iria embora para o Rio de Janeiro.

Agora, imagina, isso acontecendo com você? Seu filho ou filha, chegando e dizendo, chegou a hora de bater as asas, vou começar a tomar as rédeas da minha vida. Dói? Dói, mas isso vai acontecer em algum momento da vida dos nossos filhos.

Por isso, eu não vivo para os meus filhos, porque se assim continuasse fazendo, o sofrimento lá na frente seria imensurável, o meu casamento poderia nem mais existir e aí a solidão (por que não?) existiria e eu poderia, inclusive, culpá-los por ela.

Saiba como conciliar os papéis de mãe e mulher

A verdade é que precisamos viver, sim, pelos filhos, mas viver para eles, não, em hipótese alguma. É óbvio que um recém nascido precisa, sim, da mãe inteira para ele, mas vai chegar um momento (na minha opinião, a partir dos 2 anos), que a criança precisa entender que a mãe tem toda uma vida, que não se resume à ela.

E enquanto você vive pelo filho, não deixe de fazer o que te faz bem, não deixe de cultivar o casamento (ou se separada, tentar encontrar alguém para construir uma vida juntos), não deixe de lembrar que você, além de mãe, é mulher e merece e precisa ter a sua própria vida, e também, não esqueça de cultivar as suas amizades.

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