Reflexões de Mãe

Existe mesmo filho predileto?



Como mãe de três sempre recebo a pergunta “qual dos três você gosta mais?”. Pois é, parece uma loucura, mas é bem mais comum do que se pode imaginar. Será que existe mesmo filho predileto? Não e sim!

Não existe filho predileto. Não existe mais amor por um filho do que pelo outro (s). Mas existe – e é normal – mais afinidade com um filho do que com o (s) outro (s).

Não, não existe filho predileto. Sim, existe afinidades maiores com um filho ou outro, e isso não é nada anormal. Confesso que inicialmente achei que isso não poderia existir, e quando comecei a vivenciar isso por aqui, comecei a me questionar muito e me sentir culpada – pois é, a culpa materna nos acompanha, mas precisamos saber como lidar com ela para não pirar!

É normal – até estudei um pouco a respeito – você sentir mais afinidade com um filho do que com outro. Às vezes, a personalidade de um dos filhos se assemelha mais a sua e isso, inevitavelmente, vai te aproximar mais dele. E, em contra partida, às vezes, um dos filhos tem os mesmos “defeitos” que você, e quando você enxerga isso, acaba se sentindo mal em ver que, aquilo que você não gosta em você, está estampado justamente no seu filho.

E, aí, é até assunto para um outro texto, a questão de saber lidar com os seus piores defeitos refletidos no seu próprio filho – porque, confesso que, só depois de muita terapia, consegui conviver com isso, porque chegou a ponto de eu mesma não saber viver com algumas atitudes dos meninos que são minhas e que me incomodam demais.

A grande verdade, então, é que não existe mais amor por um filho do que por outro, mas é super normal você, mãe e/ou pai, ter mais afinidade com um ou com outro.

O que move a predileção não é necessariamente a semelhança. O processo pode estar fundamentado no sentimento contrário, o de complementaridade. Nesses casos, os pais apreciam no filho a característica que não possuem, mas gostariam de ter. Por exemplo: a mãe economista demonstra maior afeição pelo filho pianista do que pela filha administradora porque sempre sonhou tocar algum instrumento, mas nunca conseguiu. Além disso, a preferência não necessariamente é a mesma por toda a vida. Às vezes, o predileto da infância perde o posto para o irmão na adolescência, ou mesmo na fase adulta.

E, só agora depois de ser mãe é que entendo, quando minha mãe se sentia mais próxima à minha irmã e até a maior proximidade do meu pai comigo. E isso nunca foi mais amor por um filho ou por outro como eu sempre imaginei.

Portanto, quando te questionarem se você ama mais um filho do que outro, você pode responder que não, que o amor por todos é o mesmo, mas que, de fato, você pode sentir mais afinidade por um do que pelo outro. Isso não te faz uma péssima mãe!