Reflexões de Mãe

Crianças e adultos não são obrigados a emprestar suas coisas



Crianças e adultos não são obrigados a emprestar suas coisas. Isso é algo que precisamos deixar claro, para que uma guerra não se instaure entre as pessoas.

Não sei se vocês viram o bafafá entre duas mulheres adultas, recentemente, porque uma delas não quis emprestar os seus “brinquedos” de uma coleção pessoal para o filho de 7 anos da outra mulher. Em linhas gerais, a mãe foi tirar satisfação com a dona dos bonecos, depois que o filho chegou em casa chorando, por não ter conseguido autorização para brincar com as peças.

Deu para perceber a divisão? De um lado, pessoas que deram um boom no mercado geek – onde estão os brinquedos de adultos colecionadores. Do outro, um público, no qual me faço incluir, os que pregam uma maternidade ativa, consciente e que lutam pelos direitos da infância.

No entanto, nesse episódio em específico, eu fiquei impressionada com o ódio impregnado no coração das pessoas do segundo grupo – e aqui, confesso que não pude compactuar com o grupo que sempre gritei alto que fazia parte. Afinal, não acho que a colecionadora seja uma mulher cruel, egoísta e sem coração.

E explico logo o porquê, afinal, eu posso ser a próxima condenada por coadunar com a atitude da colecionadora que negou o brinquedinho para uma pobre criança.

O brinquedo da discórdia – parece brinquedo de criança, mas é de adulto!

Uma das coisas que mais bato na tecla com os meus filhos é justamente o de respeito (e o direito) à propriedade alheia e a convivência na sociedade. “Não pegue o brinquedo do amigo”, “Esse brinquedo é do seu irmão”, “Peça emprestado ao amiguinho” são frases frequentes por aqui, e acredito que por aí também, né?

No entanto, depois que as brigas passaram a ser frequentes por aqui, passei a agir de uma outra forma e tenho um mantra para esses momentos: “Ele não quer emprestar, vamos fazer outra atividade”. Saiba de uma verdade absoluta na maternidade: a criança sempre vai querer o brinquedo que está com a outra criança, seja irmão ou não.

E aí se eu fosse se meter todas as vezes que eles brigam, acabaríamos privilegiando um filho ao outro, e ainda, isso daria um cansaço sem fim e ainda não ensinaríamos a lidar com as frustrações, que são diárias na vida de qualquer pessoa.

No nosso convívio não temos ninguém que colecione “action figures” (que é o nome dado aos brinquedinhos de adultos e deu a confusão toda), mas, por exemplo, meu irmão tem uma coleção de carrinhos, que os meus filhos ficam loucos para brincar com eles.

Vivem pedindo, mas sempre tomam não como resposta. E meu irmão está certíssimo em não emprestar, afinal, é algo dele e que ele cuida com tanto zelo, por tantos anos, que não tem que emprestar mesmo.

Uma coisa é ensinar a compartilhar, outra bem diferente, é obrigar o outro a emprestar algo pessoal. Temos que respeitar a vontade do outro e isso é imprescindível para a construção da empatia!



  • Cyntia Oliveira

    Bom dia, Bárbara.
    Eu te enviei uma dúvida sobre o planner, por e-mail, em 23/07/2017.
    Hoje já é dia 31/07/2017 e ainda não tive nenhuma resposta.
    Por favor, você podia dar uma olhada lá e me responder?
    Grata.