Comportamento, Gestação, Mommy to be, Psicologia

Cibercondria – cuidado com ansiedade insalubre



Nas primeiras semanas da minha primeira gravidez, deparei com um livro numa livraria sobre a alimentação adequada para as mulheres grávidas. Não consigo me lembrar do título, e não sei quem o publicou – mas era a coisa mais louca que eu poderia ter lido naquele momento.

A autora nunca esteve grávida, mas tinha muitas teorias sobre os tipos de danos que certos alimentos poderiam causar no feto, que crescia ali no meu ventre.

Ao invés de se concentrar nos alimentos que poderiam ser benéficos para o bebê, o livro listava página após página avisos sobre vários pratos: batatas eram potencialmente perigosas, comer alimentos queimados poderia prejudicar seu bebê, e cogumelos pode causar defeitos de nascimento, além, claro, sushi era a pior comida que uma grávida poderia colocar na boca.

Durante semanas, eu tive palpitações fortíssimas, eu tinha certeza de que a qualquer momento teria um infarto, afinal, havia comido várias batatas fritas, além de ter comido carne super assada, afinal, não queria ter sequer a menor chance de ter toxoplasmose, que eu já havia lido a respeito também.

Finalmente, tive a primeira consulta com a minha obstetra falei com ela e confessei todas as minhas preocupações – eu comia sushi antes que eu soubesse que estava grávida, assim como também tinha tomado algumas taças de vinho e claro, comido as batatas fritas bem torradinhas.

A primeira pergunta, “doutora, batatas realmente ameaçam a vida? Me salva! “. O bebê ainda está crescendo na barriga e eu já estava falhando como mãe. 

A médica apresentou uma perspectiva mais racional. “Pense em todas as mulheres grávidas no Japão comendo sushi”, disse ela. “Eles ainda estão tendo bebês saudáveis. E na Itália eles comem queijo não pasteurizado o tempo todo. “Ela abriu meus olhos para a realidade da gravidez: Ninguém faz isso perfeitamente. Você faz o seu melhor com as informações que você tem, e você manter a sua ansiedade em cheque para o bem do seu bebê e sua própria sanidade.

Depois daquela primeira consulta, eu me senti capaz de ter uma gravidez saudável e com mais calma, perdoando-me por todas as imperfeições da minha dieta até ali. E a partir dali, não queria mais nem lembrar do tal livro sobre a alimentação perfeita para as grávidas. 

Eu tinha experimentado um pequeno gosto da ansiedade de saúde que assola muitas mulheres grávidas. No entanto, se eu voltasse para a Internet, em vez de livros durante esse primeiro trimestre emocional, a minha ansiedade poderia ter sido muito pior.

A abundância de informações boas e ruins armazenadas on-line pode ser completamente esmagadora, especialmente para a mulher que já é propensa a preocupações excessivas com a saúde.  Este fenômeno moderno de “hipocondria de busca de sintomas”, que é alimentado pela Internet gerou seu próprio título: cibercondria.

Eu sou um “cibercondríaca”?

É normal se preocupar com sintomas físicos. É super normal procurar respostas de saúde na internet – quem nunca fez isso que atire a primeira pedra! – todos nós já fizemos isso em algum momento. O comportamento preocupante e de busca só se torna um problema, quando ele começa a assumir o controle da sua vida.

Uma pessoa cibercondríaca gasta tanto tempo e energia pesquisando várias doenças on-line, que a sua carreira e os seus relacionamentos pessoais sofrem com isso. Afinal, o fato da pessoa sair pesquisando tudo e mais um pouco sobre doenças, não a faz se sentir melhor.

Na verdade, ela se sente mais ansiosa e chateada, afinal, quanto mais ela lê, mais ela não consegue se afastar dela. Quanto mais ela lê ali na tela do celular ou do computador, maior é a certeza de que qualquer pequeno sintoma pode significar uma condição rara e horrível.

Valorizando as fontes on-line sobre os conselhos do seu médico, uma pessoa cibercondríaca também tende a perder a confiança. Ela vai duvidar do que o obstetra, por exemplo, falou e vai sair buscando opiniões múltiplas e exames médicos quando seus sintomas não garantem esse tipo de atenção.

Ignorando o conselho de um médico, preocupando-se desnecessariamente e agilmente perdendo o sono, o que pode se tornar algo realmente grave, com problemas médicos que sequer existiam.

Cibercondria – e a hipocondria em geral- pode surgir durante a gravidez, mesmo entre as mulheres sem uma história de ansiedade de saúde. Quando você está grávida, seu corpo está exibindo sintomas que você nunca experimentou antes.

Você está preocupada com o stress em seu próprio corpo, mas você também está ansiosa com a vida que está sendo gerada dentro de você.

Você quer fazer tudo certo, então o bebê começa com todas as vantagens. Esta ansiedade é bem comum, e apenas é  agravada, quando você  ouve histórias tristes de alguém que teve problemas na sua gestação.

Mas é bom deixar registrado que o fato de uma mulher ter tido um problema na gestação, não significa que vai acontecer com você também.

Como superar

Em primeiro lugar, quebre o hábito que está te consumindo! Desligue seus dispositivos on-line e substitua o comportamento compulsivo pela interação humana e atividades terapêuticas.

Acalme suas ansiedades, conectando-se com seu parceiro ou amigos, fazendo yoga, indo para uma caminhada, apreciando música, mantendo um hobby ou recebendo uma massagem.

Fique ocupada (racionalmente falando) para distrair-se das preocupações que espreitam nos cantos de sua mente. Se você precisa de algo a mais para preencher o seu dia, olhe para fora de si mesmo e faça algum tipo de trabalho voluntário.

É normal utilizar a internet se você estiver fazendo algo positivo – trabalhando, assistindo um show, uma série, planejando a sua “baby moon“.

Siga as diretrizes de bem estar que já são de senso comum – coma bem, durma bem e fique ativo quando puder. Você vai se sentir mais segura quando você gerenciar sua saúde com visitas regulares do médico.

Se surgirem dúvidas entre os compromissos, pegue o telefone e ligue para o seu OB. Faça os testes de rotina recomendados pelo seu médico, mas não solicite exames ou exames adicionais a menos que ele acredite que tem motivos para se preocupar.

É bem importante contar para o seu médico sobre sua saúde mental, assim como sobre a saúde física. Se você tem um caso completo de hipocondria, seu OB pode recomendar uma consulta com um psicólogo, já que é sabido que o stress materno pode ter efeitos negativos sobre o bebê no útero.

Ou seja a sua sanidade mental precisa, sim, ser observada durante toda a gestação. Não só pelo bebê, mas por você!

Cuidado com o uso exagerado da internet para buscar todos os assuntos relacionados à gestação. Isso poderá não ser saudável para você e, consequentemente, para o bebê.

Texto traduzido livremente por Bárbara Sarkis, retirado do site “Pregnancy & Newborn“.