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As crianças aprendem o que vivenciam



Já sabemos que “gentileza gera gentileza”, então, nada mais correto do que pensar que a pessoa amorosa gera amor, àquela que respeita promove o respeito e por aí todos os sentimentos fluem de uma pessoa para outra.

Gostaria de dividir com vocês umas ideias que surgiram depois que li o tão aclamado livro “As crianças aprendem o que vivenciam”, de Dorothy Law Nolte e Rachel Harris (2009).

Não é novidade pra ninguém que a maior influência que os pais exercem sobre os filhos é pelo exemplo que dão em sua vida diária. Isso porque o amor vem de dentro. O amor não é um tesouro nem um bem consumível a ser encontrado. “Se as crianças convivem com a afabilidade e a amizade, aprendem que o mundo é um bom lugar para se viver”, isso cria uma expectativa otimista e positiva para as crianças quando exploram o mundo à sua volta.

Elas aprendem o tempo todo com os pais. São como esponjas, absorvendo tudo o que vocês fazem, tudo o que vocês dizem. Seus filhos estão prestando atenção em vocês. Talvez não ao que vocês lhes dizem para fazer, mas certamente ao que de fato veem vocês fazerem. Vocês são o primeiro e mais importante exemplo a seguir.

Os pais podem tentar ensinar certos valores, mas as crianças inevitavelmente absorverão aquilo que é transmitido através do comportamento, dos sentimentos e atitudes dos pais na vida diária.

A maneira como vocês expressam e administram os próprios sentimentos torna-se um modelo que será lembrado por seus filhos durante toda a vida deles. Aprendem o tempo todo, mesmo quando não nos damos conta de que estamos ensinando.

Cada criança é única e tem um centro de criatividade e sabedoria que só pertence a ela própria. O privilégio dos pais é assistir ao desdobramento da personalidade dos filhos e permitir que sua beleza brilhe no mundo. As crianças aprendem mesmo o que vivem e depois crescem para viver o que aprenderam.

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Compartilho com vocês o poema original, de 1954, que deu origem ao livro.

“Se as crianças vivem ouvindo críticas, aprendem a condenar.
Se convivem com a hostilidade, aprendem a brigar.
Se as crianças vivem com medo, aprendem a ser medrosas.
Se as crianças convivem com a pena, aprendem a ter pena de si mesmas.
Se vivem sendo ridicularizadas, aprendem a ser tímidas.
Se convivem com a inveja, aprendem a invejar.
Se vivem com vergonha, aprendem a sentir culpa.
Se vivem sendo incentivadas, aprendem a ter confiança em si mesmas.
Se as crianças vivenciam a tolerância, aprendem a ser pacientes.
Se vivenciam os elogios, aprendem a apreciar.
Se vivenciam a aceitação, aprendem a amar.
Se vivenciam a aprovação, aprendem a gostar de si mesmas.
Se vivenciam o reconhecimento, aprendem que é bom ter um objetivo.
Se as crianças vivem partilhando, aprendem o que é generosidade.
Se convivem com a sinceridade, aprendem a veracidade.
Se convivem com a equidade, aprendem o que é justiça.
Se convivem com a bondade e a consideração, aprendem o que é respeito.
Se as crianças vivem com segurança, aprendem a ter confiança em si mesmas e naqueles que as cercam.
Se as crianças convivem com a afabilidade e a amizade, aprendem que o mundo é um bom lugar para se viver”.

Quando se é criança, age-se por impulso. Mexe-se nas coisas, experimentam-se sensações, exploram-se ambientes e testam-se limites. E a criança faz isso o tempo todo. O problema está enquanto ela cresce, porque se torna condicionada pelos pais, babás, irmãos, professores e todo tipo de gente dizendo “não faça isso!”, “pare!”, “isso é feio!”, apontando todos os erros. Certo tempo depois, ela passa a conferir antes de agir “tudo bem se eu fizer isso?”, ao invés de apenas fazer.

Essa alteração faz com que a criança passe a funcionar como um sistema. Com o passar do tempo, nós acreditamos que já aprendemos a ler seus pensamentos, sentimentos e a identificar alguns mecanismos mais eficazes para seu funcionamento. Ledo engano!

O desenvolvimento se dá a partir da vivência e percepção do mundo, a partir do olhar, tocar, saborear, sentir e agir, que acontecem até os 12 anos de idade. Na presença de adultos dispostos a orientar, essa experiência torna-se incrível. Possível de ser prolongada, desde que se permita a ingenuidade natural da criança.

O processo de aprendizagem do dia a dia depende dos vínculos afetivos firmados e também da responsabilidade demonstrada através do exemplo, pois é nessa fase que a personalidade se molda para toda a vida.

Até a próxima,

Mariana Silva Pinto

Psicóloga Mariana Silvia Pinto