Amamentação, Babies

Amamentação cruzada: cuidado!



Recentemente a atriz global, Deborah Secco, afirmou que a irmã iria amamentar a sua filha, já que ela (a atriz) não havia conseguido. Isso se chama amamentação cruzada, e não é recomendada por uma série de riscos ao bebê.

Deborah explica que tudo aconteceu porque sua prótese de silicone estava em cima da glândula mamária, mas a atriz tem um plano B para que a filha mame de forma natural. “Minha irmã teve neném há sete dias e a gente vai tentar ver se a Maria mama um pouquinho nela”, conta a atriz sobre o nascimento dos gêmeos Jorge e Francisco, filhos de Bárbara Secco. 

Mas, antes que isso se propague por aí, preciso me manifestar, de forma contrária a esta decisão da atriz, afinal, a amamentação cruzada não deve ser praticada, muito menos porque uma outra mãe se sente frustrada por não ter conseguido amamentar seu bebê. Ela continuará sendo mãe da mesma forma que outras que conseguem.

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O que é a amamentação cruzada?

É a prática de mães que amamentam os filhos de outras, que apresentam alguma dificuldade com o aleitamento, como é o caso da Deborah Secco. Seria uma ótima opção se não houvesse risco para o bebê amamentado.

Quais são os perigos da amamentação cruzada?

O perigo é o bebê ser contaminado por uma doença infecto–contagiosa, como a Aids, que é uma doença crônica grave e ainda sem tratamento absoluto, sem cura. Por exemplo, se uma mãe tiver hepatite B em atividade, e doar leite a outro bebê, que não tenha ainda as doses da vacina suficientes (ou seja, não está totalmente imunizado), ela poderá passar a doença para a criança, através do leite materno, em caso de sangramento do mamilo  por trauma mamilar.

Quando a amamentação cruzada foi contraindicada?

Com o advento da Aids, a partir de 1985, a amamentação cruzada começou a ser contraindicada. Hoje, a contraindicação formal pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é para o HIV e o HTLV . Se a mãe tiver um desses dois vírus não poderá amamentar. Neste caso, o seu filho terá que ser alimentado conforme indicação do pediatra, conforme a idade que ele esteja.

Qual a diferença do leite do banco de leite para o leite de outra pessoa?

A diferença fundamental do leite do Banco de Leite Humano para o leite doado diretamente por uma outra mãe é que no BLH o leite é tratado, pasteurizado e, por isso, isento de qualquer possibilidade de transmissão de doenças. A mãe não deve amamentar outra criança que não seja o seu filho. Mesmo se esta mãe estiver com os exames normais ou se teve uma gravidez tranquila, ela pode estar em uma janela imunológica, e esse bebê correr o risco de contrair alguma doença.

Que o leite materno é o melhor alimento para nosso bebê não resta qualquer dúvida, no entanto, colocá-lo em risco é uma imensa irresponsabilidade!

Para que fique claro, não estou dizendo que a atriz Deborah Secco esteja sendo irresponsável, afinal, é a irmã dela que tentará amamentar a sua filha, mas preciso, sim, frisar que essa técnica não é indicada nem pela OMS, nem pelo Ministério da Saúde.